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Mobilização · PEC 221/2019

Fim da escala 6x1: aprovada na Câmara, a PEC completa dois meses parada no Senado

O texto passou por 461 votos a 19 e chegou ao Senado em 28 de maio. Desde então aguarda o despacho da Presidência da Casa para a CCJ — a etapa que dá início à tramitação. Sem ele, não há relator, não há parecer e não há data de votação.

28 de julho de 2026 · Comunicação SINTTEL-GO

Onde a proposta está agora

  1. Câmara dos Deputados — aprovada 27 de maio de 2026 · 461 votos a favor e 19 contra, em dois turnos
  2. Senado — parada Chegou em 28 de maio. Aguarda o despacho da Presidência para a CCJ
  3. CCJ Escolha do relator, apresentação do parecer e votação no colegiado
  4. Plenário do Senado Dois turnos de votação, com no mínimo 49 votos em cada

A proposta que acaba com a escala 6x1 viveu em maio o seu momento mais alto e, em seguida, o seu período mais silencioso. A Câmara dos Deputados aprovou a PEC 221/2019 em dois turnos na noite de 27 de maio, por 461 votos a 19 no segundo turno. No dia seguinte o texto chegou ao Senado. De lá para cá, a tramitação não começou.

O motivo é um ato formal que ainda não foi praticado: o despacho da Presidência da Casa encaminhando a matéria para a Comissão de Constituição e Justiça. É o primeiro passo do rito de uma PEC no Senado. Enquanto ele não sai, a proposta permanece sem relator, sem calendário e sem previsão de votação.

O que o Senado já disse

Em 2 de junho, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que a proposta não seria analisada diretamente pelo Plenário e teria de passar pelas comissões. Segundo ele, a Casa precisa discutir o texto e não apenas referendar uma proposição que passou cinco meses em debate na Câmara.

A primeira movimentação concreta veio um mês depois. Em 1º de julho, o Plenário realizou uma sessão temática dedicada à PEC, com mais de oito horas de debate entre senadores, representantes do governo, do setor produtivo e dos trabalhadores. Foi a primeira discussão formal desde a chegada do texto ao Senado — e terminou sem definição de cronograma de votação.

Em 13 de julho, o senador Paulo Paim (PT-RS) declarou em plenário esperar que a matéria seja votada e aprovada até agosto. O Congresso entrou em recesso em 18 de julho, com retorno previsto para o dia 31.

"O trabalho deve sustentar a vida, e não consumi-la."

O que muda se a PEC for aprovada

Comparativo do texto aprovado pela Câmara
HojeCom a PEC 221/2019
Jornada de até 44 horas semanaisJornada máxima de 40 horas semanais
Seis dias de trabalho para um de descansoCinco dias de trabalho para dois de descanso
Folga em dia variávelDuas folgas semanais, uma preferencialmente aos domingos
Redução sem qualquer perda de salário

A mudança não é imediata. O texto prevê uma transição de 14 meses, dividida em duas etapas de duas horas cada: a primeira redução ocorre 60 dias após a promulgação e a segunda, doze meses depois.

Atenção: existe outra PEC, e ela está andando

Enquanto a proposta aprovada pela Câmara aguarda despacho, uma segunda proposta tramita no Senado com direção oposta. A PEC 12/2026, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) e assinada por 36 senadores, prevê jornada sem limite fixo e pagamento por hora trabalhada, com a jornada definida em negociação direta entre trabalhador e empregador.

Essa proposta foi encaminhada à CCJ no mesmo dia em que chegou ao Senado. O presidente da comissão, senador Otto Alencar (PSD-BA), já sinalizou que deve dar prioridade à PEC do fim da escala 6x1, por já ter passado pela Câmara.

O argumento do custo — e o que dizem os números

Na sessão temática de julho, representantes do setor produtivo sustentaram que a aprovação da PEC pode elevar preços de produtos e serviços. É a mesma objeção que acompanha, historicamente, cada avanço trabalhista no país.

menos de 1%

é o impacto estimado da redução de 44 para 40 horas semanais sobre o custo operacional das grandes empresas.

Nota técnica do Ipea · 10 de fevereiro de 2026 · microdados da RAIS 2023

Por que isso pesa na nossa categoria

Nas telecomunicações, o efeito da escala aparece todo dia. Operadores, teleatendentes e técnicos convivem com metas, pressão por tempo de atendimento, jornadas que se esticam e escalas que se repetem sem alternância justa de folgas. O resultado conhecido é o adoecimento: lesões por esforço repetitivo, ansiedade, esgotamento e afastamento das atividades.

Esse custo não entra no balanço das empresas. Ele aparece no SUS, na previdência e dentro das casas dos trabalhadores.

Onde a pressão precisa ir agora

  1. Presidência do Senado. O ato que destrava a tramitação é o despacho da PEC para a CCJ.
  2. CCJ. Depois do despacho, o passo seguinte é a indicação do relator e a apresentação do parecer.
  3. Bancada goiana no Senado. Cobrança direta dos senadores que representam Goiás.
  4. Na base. Levar a informação ao local de trabalho: muita gente ainda acredita que a votação terminou em maio.

O SINTTEL-GO segue acompanhando a tramitação e manterá a categoria informada a cada movimentação. A aprovação na Câmara foi uma vitória construída por décadas de luta das centrais e dos sindicatos — mas ela só vira direito quando o Senado concluir a votação.

Fontes

  • Agência Senado — "Após aprovação na Câmara, Senado analisará fim da escala 6x1" (28/05/2026)
  • Agência Senado — "PEC da escala 6x1 não irá diretamente para o Plenário do Senado, diz Davi" (02/06/2026)
  • Agência Senado — "Paim diz ter esperança de que Senado aprove fim da escala 6x1 até agosto" (13/07/2026)
  • Agência Brasil — "Câmara aprova, em dois turnos, a PEC pelo fim da escala 6x1" (27/05/2026)
  • TV Senado / Senado Notícias — cobertura da sessão temática de 1º de julho de 2026
  • CNN Brasil e Congresso em Foco — cobertura da tramitação no Senado (junho e julho de 2026)
  • Nota técnica do Ipea sobre redução de jornada (10/02/2026), com base na RAIS 2023